Slide Home

25 mar
2017

Ói Nóis Aqui Traveiz viaja o Brasil com a peça “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia dia 29 de março a criação coletiva para teatro de rua “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”
A peça contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e pelo Rumos Itaú Cultural  circulará pelo Brasil ao longo de 2017, como homenageada do 20º Palco Giratório Sesc
São quase 40 anos de uma trajetória irretocável! Há exatos 39 anos o Ói Nóis Aqui Traveiz faz uma verdadeira imersão na essência do teatro e apresenta ao público brasileiro espetáculos arrebatadores, elogiados e reconhecidos em todo o território nacional. E para comemorar este momento marcante, lança “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, Esta montagem já vem com importantes e merecidos financiamentos: foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.
A peça terá sua estreia nacional dia 29 de março, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, durante o lançamento do 20º Palco Giratório Sesc, que nesta edição comemorativa tem a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz como grupo homenageado. No Rio de janeiro, o espetáculo chega em maio, com sessões entre os dias 8 e 14, na capital e em Paraty. Já São Paulo recebe o grupo nos dias 02, 03 e 04 de agosto.
(No dia 22 de Abril, o espetáculo será realizado aqui na nossa comunidade da Restinga, na avenida Macedônia). 
Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.
A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.
Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária.
“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias. (Alguns atores do elenco são moradores da nossa comunidade)
Sobre o autor:
Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931 e apesar da formação em Engenharia, sempre se interessou pelo teatro. No início dos anos 50 esteve nos EUA onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de Columbia e frequentou os cursos de John Gassner – professor de alunos como Tennessee Williams e Arthur Miller. De volta ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena, onde aos poucos adaptou o que aprendera nos Estados Unidos em espetáculos que buscavam encenar e discutir a realidade brasileira, transformando o espectador em cidadão ativo. Formado por Boal, José Renato, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, o grupo de dramaturgos do Arena promoveu uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros.
O golpe de 1964 tornou cada vez mais difícil a situação dos artistas que haviam se engajado na transformação social do período precedente. Em 1971, Boal é então preso e torturado. Exila-se na Argentina com Cecília Thumin, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido. A partir de então, os princípios e as técnicas desenvolvidas por Boal alcançam um público cada vez maior, difundindo-se inicialmente pela América Latina e, ao longo dos anos 1970, pelo mundo inteiro. Em Paris, onde passa a morar e atuar, cria vários núcleos baseados em sua obra. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992 é eleito vereador e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo, que discute projetos de lei com o cidadão comum em ruas e praças da cidade. A Unesco conferiu a Boal o título de “Embaixador do Teatro Mundial” , em 2009. Nesse mesmo ano ele faleceu no Rio de Janeiro. Suas obras estão traduzidas para várias línguas, ocidentais e orientais.
Rumos Itaú Cultural
O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais públicos do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa. Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de seis milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados. Na última edição (2015-2016), as propostas inscritas foram examinadas, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 30 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 22 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.
Palco Giratório Sesc
Em sua 20ª edição (2017), o Circuito Palco Giratório é considerado o maior projeto de circulação nacional das artes cênicas. O Palco Giratório apresenta espetáculos simultâneos, percorrendo todos os estados brasileiros e contribuindo para uma política de descentralização e difusão das produções cênicas no país. A cada ano, novos grupos teatrais são avaliados para entrar no projeto, em um trabalho que envolve técnicos da área de cultura do Sesc em todo o país. Além das apresentações principais, o evento conta com atividades paralelas junto ao público, como o Pensamento Giratório, espaço aberto ao público para reflexão e discussão sobre o trabalho e pesquisa dos grupos itinerantes; as Aldeias, mostras locais de artes cênicas e outras manifestações culturais, além de oficinas e intercâmbios, encontros de grupos locais com os grupos integrantes do circuito para troca de ideias.
O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural, na edição 2015-2016

Os comentários estão fechados.